O que é essa tal de semiótica?

Ultimamente tenho observado que muitos blogs estão falando sobre semiótica, mas nenhum deles explicou o que realmente é semiótica. Quais os critérios e análises utilizadas e aplicadas pela tal semiótica. É um tema interessantíssimo, vasto e que gera muitas discussões (saudáveis, por favor). Hoje, olhando meus arquivos salvos no google docs, encontrei este texto que foi dado numa aula de semiótica que tive na faculdade no 2º período. Neste texto, vc vai encontrar os conceitos das análises, segundo Peirce. Muito explicativo e para os interessados, vai ser muito útil. O texto, segue abaixo:
A RELAÇÃO DO SIGNO CONSIGO MESMO, segundo C. S. Peirce
É a relação que o signo tem consigo mesmo, no seu modo de ser, no seu aspecto, na maneira como aparece. Desse modo, ele se divide em quali-signo, sin-signo e legi-signo.

1º – QUALI-SIGNO

Se algo aparece como pura qualidade, este algo é primeiro. É claro que uma qualidade não pode aparecer e, portanto, não pode funcionar como signo sem estar encarnada em algum objeto. Ela é apenas um sentimento vago, indiscernível, num nível de primeiridade, aberta a interpretação junto com seu suporte. Seu caráter qualitativo – cores, luminosidade, cheiros, gostos, volumes, texturas, formas etc. – enriquece o objeto impregnado.

2º – SIN-SIGNO

Num segundo nível, o da secundidade, qualquer coisa que se apresente diante de você como existente único, material, aqui e agora, é um sin-signo. Isto porque qualquer existente real e concreto está conectado ao universo do qual ele faz parte, irradiando sentido em outras direções. É o seu caráter físico-existencial que aponta para as outras coisas. Rastros, pegadas, resíduos fazem parte de uma existência concreta. Daí, sin-signo.

3º – LEGI-SIGNO

Ao nível de terceiridade, o caráter do signo aparece quaando, em si mesmo, o signo é de lei. Isto porque, ao ser representado, é portador de uma lei que, por convenção ou pacto coletivo, determina que aquele signo represente seu objeto. Note-se que se é por convenção aquilo que ele representa não é individual, mas geral. Por exemplo, as palavras são caracteres cujos códigos são combinados, mantêm um acordo firmado entre o grupo – uma lei – para que o signo possa significar. Já dizia Peirce: “você pode escrever a palavra “estrela”, mas isto não faz de você o criador da palavra – e mesmo que você a apague, ela não foi destruída. As palavras vivem nas mentes daqueles que as usam. Mesmo que estejam todos dormindo, elas vivem nas suas memórias. Elas são coletivas, não individuais”.

AS DIMENSÕES SEMIÓTICAS SEGUNDO CHARLES MORRIS

Em uma análise posterior, Charles Morris aprofundou e estabeleceu uma classificação entre a relação do receptor do signo com o objeto designado. A análise desse processo apura quatro fatores: o veículo sígnico – aquilo que atua como um signo; o designatum – aquilo a que o signo se refere; o interpretante – o efeito sobre alguém em virtude do qual a coisa em questão é um signo para esse alguém; e o intérprete – o alguém.
Morris também estabeleceu as três dimensões do signo:

1. A DIMENSÃO SINTÁTICA

Os signos formam-se e se agrupam segundo regras, isto é, os signos se organizam, não se amontoam. Esse é o ponto de partida da sintática. O pensamento, caótico por natureza, é forçado a organizar-se para dar sentido aos signos. As partes se juntam em construção, relacionando-se umas às outras, para formar um todo. É do todo organizado, das partes que interagem, que se parte para obter uma análise. A dimensão sintática é a relação dos signos entre si.
Exemplos:

  • As palavras que compõem um poema, um texto jornalístico, uma propaganda.
  • As notas musicais que se agrupam para formar uma música
  • Os elementos visuais de uma fotografia, de um quadro.
  • Os tipos de letras de uma propaganda impressa.
  • Os fotogramas, as seqüências, os takes de um filme.

2. A DIMENSÃO SEMÂNTICA

É a que considera a relação entre o signo e seus significados. Todos os signos significam, quer dizer, têm um significado. Por natureza e por definição não há signos sem significado, pois que o significado é precisamente aquilo pelo qual está para alguém. Agora, o que é o significado, esse é um dos problemas maiores de toda a semiótica e que constitui o campo da semântica.
O significado de um nome ou signo é apreendido por quem conhece a língua ou o conjunto dos signos em que esse signo se enquadra. Normalmente um signo tem um significado e a esse significado corresponde uma referência. O mesmo significado e a correspondente referência têm em diferentes línguas diferentes expressões.
Os significados estão sujeitos à ação do tempo e da formação cultural do grupo interpretante. É por isso que os significados mudam de grupo para grupo e de tempos em tempos.

3. A DIMENSÃO PRAGMÁTICA

Considera-se a dimensão pragmática a relação entre o signo e seus usuários. É a ação, o movimento de interpretação que é compreendido e incorporado ao sistema global de outros signos. Qualquer estudo semântico ou sintático conduz inexoravelmente à investigação pragmática. Para se fazer uso do signo, há que se fazer sentido.
As regras pragmáticas estabelecem as condições em que algo se torna um signo para os intérpretes. Ou seja, o estabelecimento das condições em que os termos são utilizados por ele em seu processo de pensamento. Daí que qualquer signo produzido e usado por um intérprete pode também servir para obter informações sobre esse intérprete.
Os signos podem ser usados para condicionar comportamentos e ações tanto próprios como alheios.
O que a pragmática vem acrescentar à semiótica é a descrição das regras de uso dos signos. Sintaxe e semântica estudam exclusivamente o sistema, a pragmática estuda o uso dos elementos do sistema. A esta cabe definir as regras do uso dos signos, que são diferentes das regras do sistema. Por exemplo: Não basta que uma frase esteja correta do ponto de vista gramatical, é preciso também que ela se adapte ao contexto para que possa ter o sentido pretendido e possa ser entendida nesse sentido.



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R Design

Dia 1º de Maio o primeiro encontro regional de Design em Vila Velha, conhecido como R Design. Os encontristas se reuniram na Faculdade FABAVI, situada no Bairro Praia da Costa. Tivemos a oportunidade de reunir estudantes e profissionais de todas as regiões do país, de Norte a Sul, totalizando 750 pessoas, todos unidos para discutir sobre Design Vernacular, um tema abrangente sobre cultura em massa ou cultura popular. Uma discussão que pôde ressaltar sua importância e influência no nosso trabalho como designers.

A equipe organizadora conseguiu realizar várias atividades com temas e nomes populares, trazendo um clima mais popular para os quatro dias de evento. O ‘Cortejo’ e ‘Aqui tem design!’ levaram os encontristas em vários grupos para as ruas onde eles tiveram a oportunidade de conhecer a cidade e a realidade das ruas, as comunidades e a cultura popular da região de Vila Velha. Uma vivência que procurou estimular ainda mais a discussão e percepção da realidade. Logo após, os grupos puderam discutir o que viram nos vários cantos da cidade.

Além das atividades de interação, houveram palestras realmente interessantes abranjendo vários temas como semiótica, metodologia de projeto, antropologia, tipografia, ergonomia, publicidade e moda. Todas voltadas para o Design Vernacular que era o tema principal do encontro. Hora onde vários profissionais e professores puderam conversar, expor suas idéias e trocar conhecimento e experiência com os novos designers que estão surgindo nos vários cantos do país.

Outra atividade que foi proposta para os participantes foi o ‘R de repente!’. Uma dinâmica de improviso que partiu de uma literatura de cordel. Os encontristas foram divididos em em seis grandes grupos onde cada um possuia um ‘baú de grambiarras’ e um cordel. O desafio musical e poético tinha como objetivo a criação de um objeto que representasse o texto. Os seis textos foram produzidos especialmente para o R Design e escritos pelo escritor baiano Airam Ribeiro, poeta sertanejo. Uma chance única para o encontrista expressar de forma prática e criativa o que vivenciou nos últimos dias.

Outra atração que houve a participação de praticamente todos os encontristas foram as Oficinas, realizadas em 20 salas, cada uma com um tema diferente, divertido e principalmente explicativo. Os assuntos abordados foram os mais variados, desde sexo à design de jogos, das quais foram o que mais chamaram a atenção dos dos estudantes. Os responsáveis pelas oficinas de design de jogos foram a Kátia Broeto Miller e o Magnum Candido do ES, já o Sexxxybilize foi mediado por Caio Pompeu Caropreso e Aaron Yamagishi da UNESP – SP. Ouveram outras excelentes, como a que tive oportunidade de participar com o tema ‘O Progesso criativo nas mídias digitais’ que foi ministrado pelo estudante de Desenho Industrial da UFES, Marcos Vinícius de Morais.

Como todo encontro, houveram eventos a parte, promovido pelos próprios estudantes como a Corrida de Sacos que mobilizou quase todos os participantes. A base de muita gritaria e risadas, a competição foi um sucesso! No último dia tivemos os ‘Recadinhos do Coração’, outra atração também realizada pelos encontristas. Todos muito animados com as festas produzidas pela equipe de organização fizeram com que se tornassem um sucesso absoluto.

Todas as atividades e atrações propostas pela equipe de organização do evento visaram ressaltar a importância do Design Vernacular. A iniciativa teve resultado, atingiu seu objetivo e fez com que estudantes, profissionais e palestrantes discutisse e pensasse sobre o que é Design e em como ele influência a sociedade. Uma proposta diferente e que foi muito bem explorada pela equipe.

Além de todas as atrações e atividades extras, o R Design ofereceu aos participantes, acesso a uma estrutura excelente como bazares, stand de venda de livros, alojamento e almoço. O que podemos concluir é que o evento foi um sucesso. Tivemos ótimas críticas e excelentes elogios. Os designers capixabas agradecem a oportunidade e a vinda de todos os participantes e aguardamos, impacientes, por um reencontro. Quem sabe no N Design?

Aos interessandos, segue abaixo os links para o download do audio das palestras, fotos e vídeos do Evento:
Fotos: http://www.flickr.com/photos/rdbandeira
Vídeos: http://hitchan.4shared.com
Audios: http://hitchan.4shared.com

Ainda esta semana, falarei um pouco sobre as palestras. Dos temas, palestrantes e etc. Recomendo baixarem os audios, todas as palestras e a oficina foram excelentes!



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