A sua análise semiótica das marcas e suas representações
May 31
Este poema foi dado numa das minhas aulas de semiótica, para que todos lessem e discutissem o que é ser você no mundo de hoje onde tantas marcas existem e nos identificam. Quem somos nós nesse mundo onde a marca vale mais do que você mesmo?
Eu, Etiqueta
Carlos Drummond de AndradeEm minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome… estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
(…)
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado
(…)
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.(ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984.)
E deixo a pergunta:
Quem é você? O que realmente te representa?
Fica aberta a discussão.
=)
Categoria(s): reflexão, teoria/design
Tags: semiótica, teoria/design
1 comentário
May 31, 2010 @ 09:37:43
Eu sou o jefferson teixeira bessa, assim como tantos outros por aí.. não sei se sou o único, mas se for então meu nome me representa, acompanhado da minha estrutura física.
Se o que me representa é minha imagem e meu nome, então o que me diferencia de um produto? o fato deu não ser vendável?… então existe um monte de produto ambulante por aí..
Se eu sou ou não um produto ambulante, minha marca é meu nome e se pessoas têm o mesmo nome que eu, então não sou um produto exclusivo, sou somente mais um produto na prateleira igual a tantos outros..
Nessas horas que seria legal ter aqueles nomes do tipo: Mikael Jequeson Ferreira da Silva —> Marca única – porém nunca registrada!